Fim das sacolinhas: sem educação ambiental não há preservação

Com o pretexto de diminuir a quantidade de plástico lançada no meio ambiente, tendo em vista que a sacola comum demora mais de 100 anos para se decompor, desde janeiro deste ano o consumidor que faz compras em supermercados de Vitória não recebe gratuitamente este item para levar os produtos adquiridos para casa.
 

O que muito se discute é a questão da cobrança pelas sacolas biodegradáveis. As antigas sacolinhas, que tinham um custo que girava em torno de R$ 0,04 cada para o estabelecimento, foram substituídas por sacolas biodegradáveis, que saem por cerca de R$ 0,19 para o consumidor. Contudo, o valor das sacolas comuns que eram fornecidas ao consumidor já estava embutido junto ao preço das mercadorias adquiridas. Com a substituição pelas sacolas biodegradáveis, o custo passou a sair diretamente do bolso do consumidor, e multiplicado por cinco!


Em alguns estabelecimentos o cidadão recebe um desconto de R$ 0,03 a cada cinco produtos comprados. Em outros, esse desconto não é praticado, ou seja, existe uma cobrança duplicada e esse custo não pode ser repassado ao consumidor. Os cidadãos precisam pressionar os estabelecimentos para que o desconto seja dado, pois o consumidor não pode receber o ônus de novas despesas com a substituição das sacolas.
 

É claro que a utilização indiscriminada da sacola plástica, assim como a produção desordenada de qualquer tipo de lixo, gera prejuízos ambientais incalculáveis. Por isso devemos pensar em alternativas, já que existe a lei estadual 9.622/2011 que prevê o fim da distribuição das sacolas comuns.
 

No entanto, sou contra a retirada das sacolas comuns de circulação, da forma como aconteceu, pois penso que o problema vai muito além do prejuízo ambiental que o plástico em si causa, estando diretamente associado à questão da falta de um trabalho enfático de educação ambiental.
 

Ao proibir a distribuição gratuita das sacolas plásticas comuns, sem nenhum tipo de mobilização para conscientizar o cidadão a evitar o desperdício e o descarte incorreto, o benefício à natureza não será satisfatório por vários motivos.
 

O primeiro é científico. Segundo relatório apresentado ano passado na publicação Environmental Science & Technology, embora seja certo que as sacolas biodegradáveis se despedacem no meio ambiente, os fragmentos gerados por esta primeira degradação podem durar muito tempo, e não há estudos que comprovem se estes pedaços se dissolvem ou não.
 

Outro fator preocupante é o que corre na boca “miúda”: algumas pessoas dizem que vão jogar o lixo doméstico nas ruas sem estarem devidamente acondicionados, pois afirmam não terem recurso para comprar a nova sacola ou até mesmo a comum, que continua sendo vendida. Isso causará a proliferação de insetos e consequentemente aumento nos casos de várias doenças.
 

Além disso, alguns consumidores passaram a comprar sacolas comuns para acondicionarem o lixo doméstico. Ou seja, o consumo indiscriminado de sacolas plásticas continua, o que mudou  foi a forma de acesso a elas.
 

Dessa maneira questiono: qual a solução que o poder público aponta para esses problemas iminentes? Existem, além da proibição, ações voltadas para a educação ambiental e o uso consciente, que efetivamente terão impacto positivo para preservação do planeta?
 

Eliézer Tavares
Vereador de Vitória - PT
Administrador de Empresas e Mestre em Educação

 

 

 

 

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