As cidades são vivas

Em qualquer cidade foi mais ou menos assim: alguém ou um grupo olhou de lugar privilegiado, tipo algum mezanino geográfico, um vale, uma planície ou um planalto cortado por um ou mais rios, e ali resolveram se instalar. Dividiram as glebas e, a medida que mais pessoas se encantavam com o lugar, alguém tinha de começar a pensar em como se locomover, como se comunicar — inclusive com outras cidades —, como se manter e, principalmente, que regras de convivência adotar entre os moradores e visitantes. Por isso surgiram as diversas profissões, as leis, quem as julgassem e quem as executassem. À medida que a localidade crescia, mudava de nome para aldeia, depois vila, e enfim cidade, e mais complexas foram ficando as relações e necessidades da comunidade, e dai a necessidade de alguém que ficasse responsável para executar as decisões coletivas da comunidade. No Brasil se chamou Prefeito, na França Maire, nos EUA Mayor, na Espanha Alcaide, na Itália Sindaco ou Prefetto, e assim por diante. 

 

Fazendo uma analogia com a vida humana, uma coisa é certa: as cidades têm vida, palpitam, crescem, adoecem, regeneram e até morrem. As ruas e avenidas são as suas veias, as edificações os seus diversos tecidos, as indústrias e alguns equipamentos públicos são como os órgãos vitais dos seres vivos, pois dependemos deles para poder existir, tipo a energia elétrica que seria o equivalente ao coração, e os seres humanos seriam os componentes sanguíneos que garantem a manutenção e a renovação da vida. 

 

Para que a vida da cidade seja harmonizada e menos caótica, o interesse coletivo deve sempre se sobrepor ao interesse individual, mas infelizmente essa construção não é simples de se concretizar, pois o egoísmo, a falha de caráter e a irresponsabilidade de alguns seres humanos extrapolam a ética e a decência, como por exemplo, ameaçar uma vida não parando na faixa de pedestre, furar um sinal vermelho, colocar o lixo doméstico fora do horário ou do lugar correto, furtar uma planta num canteiro da cidade, e tantas outras questões até muito mais graves que essas.

 

A cidade de Vitória foi uma das primeiras cidades a implantar o PDU – Plano Diretor Municipal, que foi instituído em 1984, e periodicamente vem sendo atualizado, mas mesmo assim de vez em quando surge um conflito de interesses. Recentemente várias questões relativas à poluição sonora têm sido levantadas na cidade. Uma casa noturna se instalou em região da cidade onde não é permitida pelo PDU a realização de shows e congêneres, e mesmo assim o empresário tentou de todas as formas manter o negócio em desacordo com a lei e, infelizmente, muita gente defendia o empreendimento porque eles não eram os vizinhos que sofriam com o excesso de barulho produzido.

 

Agora, outros empresários querem o direito de descumprir a lei, alegando que o turismo será prejudicado, bem como os bares, restaurantes e também os músicos capixabas, já que ao não poderem tocar na noite eles ficam sem espaço profissional. Quando uma pessoa vai à prefeitura para abrir um negócio, ela tem de consultar o PDU para saber se aquela atividade pode ser exercida naquele território e, ainda, que tipo de tratamento acústico deve ser dado ao ambiente para garantir o funcionamento adequado à legislação. Portanto, para que vivamos de forma harmônica é necessário que cada um observe e obedeça as leis conjugando os interesses de todos, de uma maneira altruísta, solidária e fraterna.

 


Eliézer Tavares

Vereador de Vitória - PT

Administrador de Empresas e Mestre em Educação

 

 

 

 

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